Luto perinatal: Quando a morte chega onde se esperava a vida e nascimento
- Amparo

- 17 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 7 dias
O luto é uma resposta natural ao rompimento de um vínculo, sendo um caminho para lidar com uma perda significativa.
É uma reação física e emocional, caracterizando-se como um período de enfrentamento da dor da perda. Sua função é proporcionar a reconstrução de recursos e viabilizar um processo de adaptação às mudanças ocorridas em consequência das perdas.
O luto perinatal é o luto decorrente da perda que ocorre em torno do nascimento: gestação, parto ou pós parto (peri: ao redor/em torno; natal: nascimento). Inclui luto decorrente de situações de abortamento (provocado ou espontâneo), óbito fetal e óbito neonatal.

Repercussões emocionais
No processo de luto, vários sentimentos se misturam e intercalam, podendo provocar instabilidade emocional, cognitiva e fisiológica
É comum aparecer sentimentos como: tristeza, culpa, raiva, desmotivação, frustração, ansiedade, insegurança, desânimo, revolta, medo, dificuldade para dormir, acordar ou se concentrar, choro repentino, falta ou excesso de apetite, pensamentos recorrentes ao que foi vivido, desinteresse pelas coisas cotidianas.
Dinâmica do luto perinatal
É importante dizer que a experiência da perda é singular: cada mulher e família irá sentir e vivenciar este processo de forma única, a depender das circunstâncias da gestação e do significado construindo em torno da gestação. Não há maneira certa e errada de sentir essa dor.
O luto perinatal apresenta uma dinâmica própria: a gestação é um momento associado à vida e não ao fim dela – e o acontecimento de um óbito fetal ou neonatal contraria a expectativa social em torno do nascimento
Também vive-se um luto simbólico: o morte do bebê interrompe os sonhos, esperanças e expectativas que não puderam ser concretizados
Luto não autorizado
Em nossa sociedade há a dificuldade de reconhecer o luto perinatal como válido. Apesar do luto ser um processo natural e esperado quando um vínculo é rompido, há a tentativa social de desaparecer com os vestígios do bebê, para evitar entrar em contato com a perda;
Isso leva ao não reconhecimento da vida deste bebê e, consequentemente, do sofrimento vivenciado pelos pais
Não vivenciar o luto pode levar os pais a experienciá-lo de forma isolada ou serem estimulados a não senti-lo→ o que pode prejudicar seu psiquismo e levar ao desenvolvimento de transtornos psíquicos
Amparo
A melhor estratégia para entrar em contato com a dor é falando sobre ela, sentindo e vivenciando-a; só assim, a perda pode ser elaborada.
O tempo para a vivência do luto e para a elaboração da perda é individual.
Estamos aqui para oferecer escuta à dor da perda de seu bebê e ser amparo <3
Referências
Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. (2022). Postagens: Principais Questões sobre Luto Perinatal. Disponível em: <https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-luto-perinatal>.
Muza, J. C., de Sousa, E. N., Arrais, A. da R., & Iaconelli, V.(2013). Quando a morte visita a maternidade: atenção psicológica durante a perda perinatal. Revista Psicologia: Teoria e Prática, 15(3), 34- 48. Disponível em
Salgado, H. O, & Polido, C. A. (2018) Como lidar, Luto perinatal - acolhimento em situações de perda gestacional e neonatal: guia para profissionais da saúde. Emma Livros.
Santa Joana Hospital e Maternidade.(2021). Perda Gestacional e Neonatal. Disponível em: https://santajoana.com.br/site/wp-content/uploads/2022/08/HMSJ-E-book-Perda-Gestacional-V02.pdf


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